Ok, vou tentar ser mais clara.
Estou eu lendo Introdução à psicologia da educação (Carrara, 2004), quando me deparo com algo que já havia lido e debatido e aprendido, mas nunca tentei colocar na minha vida:
- "Seus pais projetam nos filhos seus sonhos frustados de felicidade, destinando a eles a realização do gozo que não conseguiram conquistar",
- "A gênese do desejo do sujeito, é portanto o desejo do outro", "o espelhismo, típico do primeiro ano de vida, frequentemente domina relações na fase adulta"
- " O nome próprio funciona como a primeira nomeação do desejo parental, como um testamento que designa os legados da criança e indica os investimentos afetivos que recaem sobre ela, as idealizações dos pais e o projeto de vida do qual é portadora."
Longa citações, mas necessárias para o entendimento do que quero abordar. Comecei apensar em mim como um ser frustrado, sem idealizações próprias, sem ser eu, mas aí me vêm a ideia de que também posso não ser o que o outro quer mas por algum motivo inconsciente tentar ser o contrário do que o outro quer, aí chegando novamente a conclusão de que não sou, visto que sou para não ser.
Confundi mais? Então bem vindo ao clube. Sou adepta das idéias de Lacan, mas para trabalhar com o outro, pensar em mim como penso do outro é complicado.
Pensar em toda a minha constituição sem o meu aval efetivo sobre mim, quer dizer sou onde meu nome me coloca, sou onde o desejo do Outro me coloca, sou onde as expectativas do outro me levam.
Sou eu Maria de 24 anos com aspirações artísticas e um ótimo gosto literário e musical, que quer seguir a carreira arquitetônica?
Sou eu um SIM que é controlado pelo jogador do The Sims que colocou nesse avatar aquilo que não é e projetou no boneco suas aspirações?
Sou eu com minhas relações adultas reflexo do que os Outros me levaram a ser?
Não confio no outro porque minha mãe me significou o mundo desse jeito ou porque minhas experiências pessoas me fazem ver o mundo deste jeito?
Pensar assim me deixou tão pequena, me deixou sem valor. Onde estou eu em mim, o que há de mim em mim?
Quero pensar que sou duas metades e que neste momento vivo este conflito porque meu lado constituído do outro luta comigo mesma e estou ganhando a batalha porque quero ser EU.
Quero pensar que gosto de Grunge porque as batidas e as letras de grandes bandas me tocam, se conectam comigo mesma; quero pensar que amo Agatha Christie porque no fundo meu amor por casos para resolver e Hercule Poirot se conectam com meu lado investigativo como nenhum outro autor consegue me conectar; quero pensar que escolhi a minha profissão porque ela é o que de melhor posso fazer para o mundo; quero pensar que amo porque ele me faz a pessoa mais feliz do mundo, e não porque vejo nele o que me foi implantado como um chip de como deve ser a pessoa ideal para mim.
" QUERO PENSAR QUE SOU, QUE CONSIGO SER EM MIM E QUE NÃO SOU HOSTIL AOS MEUS DESEJOS, AFINAL NÃO QUERO SER NUM OUTRO QUE VOU GERAR E LEVÁ-LO A DESEJAR, AMAR E VIVER COMO EU, PORQUE EU NÃO QUERO PASSAR A SER FORA DE MIM, NO CORPO DE UM OUTRO, QUERO PODER OLHAR PARA MIM E ME VER E NÃO OLHAR PARA FORA AFIM DE ME ENCONTRAR "
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. BÁSICAS: CARRARA, K. (org.). Introdução à Psicologia da Educação: seis abordagens. São Paulo: Avercamp, 2004.

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